sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A vez dos Sauvignon Blanc do Chile ...

A nova safra 2008, de Casablanca e de San Antonio, merecem atenção e elogios pela alta qualidade.
Junto ao Oceano Pacífico, no Vale de Casablanca e de San Antonio, os rótulos chilenos da Sauvignon Blanc se estabeleceram como uma verdadeira categoria, comparável em qualidade e em quantidade somente aos estupendos Cabernet Sauvignon do Alto Maipo, perto da Cordilheira dos Andes.

Começando pelo litoral, os Sauvignon Blanc construíram uma reputação com seus aromas cítricos, sua mineralidade e principalmente porque são uma categoria numerosa na qual a qualidade é compartilhada, beirando a democracia. Vale a pena degustar a nova safra 2008: os rótulos de Casablanca e de San Antonio podem ser considerados como sinônimo de qualidade e confiabilidade.
Porém, nos últimos dois ou três anos, um novo horizonte se abriu para os Sauvignon Blanc chilenos, também na zona litorânea, ao norte, a 300 quilômetros. Mais precisamente ao norte de Santiago, no Vale de Limarí e de Elqui, onde até pouco tempo somente eram cultivadas uvas brancas destinadas à produção de pisco. Assim como em Casablanca, em Limarí e Elqui, é possível perceber a influência do mar, ainda que tanto o solo quanto o clima sejam distintos. Em Casablanca, por exemplo, chove 400 milímetros ao ano, aproximadamente, enquanto em Limarí essa incidência chega apenas a uns 100 milímetros. Além disso, a escassez de chuvas implica em céus limpos, fato esse que, combinado à influência fria do mar, provoca longas temporadas de maturação e de sanidade para o vinhedo.
No entanto, ao que parece, é o solo que determina a diferença entre os vinhos de Elqui y Limarí, em geral, e o Sauvignon Blanc em particular. Em Casablanca e San Antonio, o que predomina é a argila e o granito, solos que resultam em corpos abundantes e mineralidade pronunciada. Ao norte, por sua vez, os solos são terras aluviais, leitos de rio com traços de cal. Ainda é muito cedo para se tirar conclusões, mas pode ser que graças a essa mistura de solos e brisa marina é que os Sauvignon de Limarí e Elqui ostentem notas de sal, de mineral.
O frescor dos Sauvignon Blanc do norte não fica a desejar aos seus compatriotas do sul: sente-se uma mesma acidez severa e refrescante, muita fruta e bastante corpo, mas também notas de cal, esses aromas e sabores salinos, essas nuances de ají verde (um tipo de pimenta andina), que tanto têm chamado atenção e que, no final das contas, definem o caráter desses vinhos.
Um excelente exemplo é o Castillo de Molina de San Pedro, um vinho com aroma de ají verde e rico em sabores salinos conjugados a uma fruta cítrica raivosa. Vale a pena também provar o Tamaya, com seu Winemaker Selection, outro Sauvignon que mais parece ter sido feito com mineral do que com uvas. Interessante também é Tabalí, que buscou um estilo mais maduro, mais doce, mantendo ainda assim sua mineralidade como marca de origem.
E se falamos em mineral, em sal (temas que, na teoria, não parecem muito saborosos, mas que na prática, sim, acredite), devemos citar Maycas, o novo projeto de Concha y Toro, em Limarí. Maycas tem dois Sauvignon. O Reserva é frutado, repleto de aromas cítricos e de ají, com corpo volumoso e fresco. O Reserva Especial, por sua vez, tem aroma de cal, e em boca, essa sensação se reafirma, acompanhada de deliciosas notas cítricas.
A categoria do Sauvignon Blanc litorâneo no Chile tem sido a estrela nesse país por cinco ou seis anos. A cada temporada, percebem-se avanços em qualidade e em caráter. Assim, a chegada desses Sauvignons do norte só vem ampliar a gama de opções e dar-lhe ainda mais sabor.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Espumantes Cava da Raventós i Blanc


No final de 2008, eu tive o prazer em receber a visita do Sr. Francesc Escala, diretor de exportação da Raventós i Blanc (http://www.raventos.com/), uma das mais conceituadas produtoras de espumantes Cava da Espanha no restaurante Toro (http://www.tororestaurante.com.br/) onde trabalhei como Sommelier-Chefe/Gerente Operacional até o final de 2008.
A vinícola localiza-se em Sant Sadurní d'Anoia, município da província de Barcelona, comunidade da Catalunha, Espanha. Tivemos uma conversa muito agradável na qual, o Sr. Francesc mostrou-se muito satisfeito com a vendagem e aceitação da Raventós pelo público brasileiro. As Cavas Raventós são importadas no Brasil pela Decanter (http://www.decanter.com.br/).
Dentro delas, citaria com destaque, a Cava Raventós i Blanc Gran Reserva Brut (40% Xarel·lo, 30% Parellada , 25% Macabeo e 5% Chardonnay, graduação alcoólica de 12° GL). Nela, revelam-se retroaromas complexos de avelãs, amêndoas, brioche, mel e frutas cristalizadas. Na boca, é potente, cremosa, vibrante e com longo final tostado.
Outro produto que merece destaque, é a Cava Raventós L’Hereu de Raventós i Blanc Brut (60% Macabeo, 20% Xarel·lo e 20% Parellada, graduação alcoólica de 12° GL). Elegante e intenso, com retrogostos de frutados cítricos e de maçã. Na boca é cremosa, com excelente frescor e acidez.
As Cavas da Raventós i Blanc estão sempre bem cotadas nos meios de comunicação dos vinhos como a Wine Advocate e já ganharam prêmios no conceituadíssimo Madrid Fusión, um dos maiores eventos gastronômicos do mundo.
Como dever do meu trabalho, degustei e apreciei as Cavas Raventós i Blanc. Harmonizei as mesmas com uma tapa (aperitivo da culinária espanhola) típica da Catalunha, que foi o pan con tomate (fatias de pão com tomate fresco ralado e temperados com alho e azeite de oliva extra-virgem).
Uma harmonização simples, clássica e … inesquecível !
Recomendo a todos e a quem tiver o prazer de degustar as Cavas da Raventós i Blanc … BUEN PROVECHO !

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Rótulos matadores: Conheça os dez rótulos campeões de 2008 do ranking Top 100 da revista Prazeres da Mesa

1º lugar: Catena Zapata Malbec Argentino 2004 Mendoza, Argentina
Este tinto campeão de Nicolás Catena, pioneiro na revolução dos vinhos argentinos modernos, apresenta cor rubi-violáceo intensa, com aromas de frutas vermelhas maduras na medida certa, notas de especiarias, couro, tabaco. Complexo também na boca, tem ótimo corpo, equilibrado, ainda jovem, longo e com taninos muito macios e 14% de álcool. Importado pela Mistral.

2º lugar: Aalto PS 2004 Ribera del Duero, Espanha
O enólogo Mariano Garcia ganhou fama por elaborar, por 30 anos, o mítico Vega Sicilia. Hoje, ele é sócio da vinícola Aalto, que tem no PS seu vinho premium e cheio de predicados e por pouco não levou o primeiro lugar. Elaborado com clones originais do Tinto Fino de vinhas velhas (idade ao redor de 60 anos), colhidos manualmente em pequenas caixas, o Aalto PS é fermentado e passa 18 meses em barricas novas de carvalho francês. De imensa concentração de cor, de aromas e de álcool (tem 14,8%), é exuberante e elegante ao mesmo tempo, complexo e longo na boca. Importado pela Península.

3º lugar: Barbaresco DOCG 2003 Gaja Piemonte, Itália
Angelo Gaja é o rei do Barbaresco, pela destreza em transformar a cepa Nebbiolo num vinho que fascina pela ampla gama de aromas e sabores, sempre elegantes, ricos e complexos. As uvas vêm de 14 vinhedos na comuna de Barbaresco, que são fermentadas em tanques de aço inox e depois envelhecem por 12 meses em pequenos barris de carvalho francês e mais um ano em grandes cascos de carvalho. Importado pela Mistral.

4º lugar: La Court Barbera D’Asti Superiore Nizza 2004 Piemonte, Itália
O italiano Michele Chiarlo é um dos pioneiros em elaborar um vinho com a uva Barbera com passagem em barricas de carvalho, o hoje conhecido Barbera barricado. Esse vinho nasce de um vinhedo especial, o La Court, de vinhas mais velhas, na cidade de Nizza de Monferrato, e mostra que a Barbera pode ser, sim, uma uva elegante e longeva. Importado pela Zahil.

5º lugar: Barca Velha 1999 Casa Ferreirinha Douro, Portugal
O primeiro vinho seco do Douro, região conhecida pelos fortificados Porto, é também um dos melhores tintos da região e tem sua história ligada à dona Antonia Adelaide Ferreira. Elaborado apenas em anos excepcionais, suas castas principais são a Touriga Nacional, a Touriga Franca e a Tinta Roriz. Passa 18 meses em barrica e chega ao mercado pelo menos cinco anos depois de engarrafado, quando seus enólogos decidem se ele tem a complexidade para ser um Barca Velha ou se será um Reserva Ferreirinha. Importado pela Zahil.

6º lugar: Vosne Romanée Leroy 2004 Borgonha, França
Lalou Bize-Leroy é uma personalidade na Borgonha, com tintos e brancos cheios de caráter. Defensora implacável da viticultura biodinâmica, ela tem em Vosne Romanée um de seus melhores vinhedos, classificados como Grand Cru. Em taça, o vinho traduz toda a elegância e complexidade dos bons Borgonha. E pede tempo em adega, antes de se abrir a garrafa. Importado pela Zahil.

7º lugar: Quinta Sardonia 2002 Ribera del Duero, Espanha
O novo tinto do enólogo dinamarquês Peter Sisseck, que elegeu o terroir espanhol para elaborar seus vinhos. São 17 hectares de vinhedos, plantados em 1999, que mostram a habilidade em criar tintos complexos, mesmo com vinhas jovens. É um corte de 36% de Tinto Fino, 30% de Cabernet Sauvignon, 20% de Merlot, 5% de Syrah, 5% de Cabernet Franc, 3% de Malbec, e 1% de Petit Verdot. Importado pela Grand Cru.

8º lugar: Flor de Pingus 2004 Ribera del Duero, Espanha
Peter Sisseck ganhou fama ao lançar o Domínio de Pingus, com primeira safra em 1995 e já considerado um ícone espanhol. Na bodega, ele também faz o Flor de Pingus, seu segundo rótulo. Elaborado apenas com a uva Tinto Fino, dos vinhedos de La Horra e Valbuena. Importado pela Grand Cru.

9º lugar: Quinta do Crasto Maria Tereza 2003 Douro, Portugal
De um vinhedo de 80 anos de solo xistoso, plantado quando Maria Tereza era pequenina, nascem as uvas que dão origem a esse tinto, apenas em anos excepcionais. Feito com pisa num lagar tradicional e depois fermentado em cubas, o vinho faz a fermentação malolática e envelhece em barricas novas de carvalho francês. Muito concentrado, mescla elegância e potência, com seus taninos macios e persistentes. Importado pela Qualimpor.

10º lugar: Don Melchor 2003 Maipo, Chile
O vinho premium da vinícola chilena Concha Y Toro nasce em 114 hectares plantados em Puente Alto, com vinhas de Cabernet Sauvignon (majoritária) e Cabernet Franc. Elaborado pelo enólogo Enrique Tirado e recheado de cuidados tanto nos vinhedos como na elaboração, esse tinto fermenta em pequenos tanques de aço inox e envelhece em barricas de carvalho francesas antes de chegar ao mercado. Importado pela Expand.